VAMOS PÔR A NUTRIÇÃO NA ORDEM!

Em Julho de 2015, a Ordem dos Nutricionistas lançou a campanha “Vamos pôr a Nutrição na Ordem”, alegadamente com intuito de prevenir a actividade de “falsos profissionais com promessas de dietas milagrosas que podem colocar em perigo a saúde publica.1

Para isso, disponibilizou uma ferramenta online onde “qualquer pessoa pode verificar a inscrição na ordem dos nutricionistas a que recorre, encontrar os nutricionistas certificados, ou denunciar os casos de exercício ilegal da profissão.”

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PREOCUPAÇÃO DE FACHADA

Essa campanha, que é ingenuamente interpretada como uma intenção honesta de prevenir os malefícios da desinformação nutricional, não passa de uma manobra sub-reptícia de centralizar recursos através da eliminação da concorrência.

Caso as intenções da ordem fossem genuínas, incidiriam prioritariamente em diversos pontos nevrálgicos que são largamente da sua competência, a partir dos quais seria possível mitigar os riscos para a saúde da população de uma forma incomparavelmente mais expressiva, de entre os quais:

1

Reforço das bases académicas frágeis que permitem que os nutricionistas certificados ignorem aspetos fundamentais da matéria da nutrição,que são imprescindíveis para a idoneidade das prescrições.

“Dietistas profissionais e outros especialistas de nutrição desconhecem alguns dos conceitos fundamentais por trás da influência dos macronutrientes dietéticos na regulação do apetite… apesar de esses processos serem tópico de estudo desde há décadas.”2

2

Destituição imediata dos poderosos laços financeiros com as indústrias que lucram com a venda de produtos extensamente reconhecidos pela sua patogenicidade – o que, aliás, constitui uma violação explícita de diversas alíneas do código deontológico da profissão. A evidência determina inequivocamente que a filiação corporativa dos nutricionistas implica uma subjugação aos interesses da indústria.3

PatrocinadoresCÓDIGO DEONTOLÓGICO – Diário da República, 2.ª série — N.º 250 — 27 de dezembro de 2012

b) Recusar quaisquer interferências no exercício da sua atividade que ponham em causa aspetos técnico-científicos ou éticos associados ao exercício profissional, independentemente das suas funções e dependências hierárquicas, ou do local onde exercem a sua atividade;

e) Recusar quaisquer incentivos ou ofertas que possam afetar, ou ser interpretadas como aptas a afetar, a boa prática profissional.

b) Evitar situações em que existam potenciais conflitos de interesses e declarar publicamente a sua existência quando se verifiquem;

2. Para efeitos da alínea b) do número anterior, entende-se por conflito de interesses, as situações em que devido a relações pessoais, profissionais ou financeiras, um nutricionista ou dietista possa tomar ou alterar as suas decisões em detrimento do melhor interesse do seu cliente ou do público em geral.

3

Os nutricionistas registados são a principal fonte de popularização de abordagens dietéticas que deploram os princípios de uma nutrição saudável. Em particular, a partir da supressão drástica do hidrato de carbono, e da focalização em calorias de origem animal. No entanto, nem uma palavra da Ordem dos Nutricionais para impedir a continuação da actividade impostora ou remoção das cédulas profissionais.

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“Uma dieta pobre em hidratos de carbono foi associada com uma mortalidade de todas as causas mais elevada tanto em homens como em mulheres.”4

“Dietas pobres em hidratos de carbono estão associadas com uma mortalidade de todas as causas significativamente mais elevada.”5

“Maior aderência a uma dieta pobre em hidratos de carbono, rica em fontes animais de gordura e proteína, foi associada com mortalidade de todas as causas e cardiovascular mais elevada.”6

Uma vez que não se pode confiar nas recomendações dos nutricionistas certificados, e que as intenções da ordem não passam de uma fachada, é imprescindível PÔR A NUTRIÇÃO NA ORDEM!


1 – Revista ON nº1. A Revista da Ordem dos Nutricionistas, 2015.
2 – Gerstein DE, Woodward-Lopex G, Evans AE, Kelsey K, Drewnowski A. Clarifying concepts about macronutrients’ effects on satiation and satiety. J. Am Diet Assoc. 2004 Jul;104(7):1151-3.
3- Michele Simon. Are America’s Nutrition Professionals in the Pocket of Big Food?http://www.eatdrinkpolitics.com/wp-content/uploads/AND_Corporate_Sponsorship_Report.pdf
4 – Fung TT, van Dam RM, Hankinson SE, Stampfer M, Willett WC, Hu FB. Low-carbohydrate diets and all-cause and cause-specific mortality: two cohort studies. Ann Intern Med. 2010 Sep 7;153(5):289-98.
5 – Noto H, Goto A, Tsujimoto T, Noda M. Low-carbohydrate diets and all-cause mortality: a systematic review and meta-analysis of observational studies. Plos One. 2013;8(1):e55030.
6 – Li S, Flint A, Pai JK, Forman JP, Hu FB, Willett WC, Rexrode KM, Mukamal KJ, Rimm EB. Low carbohydrate diet from plant or animal sources and mortality among myocardial infarction survivors. J Am Heart Assoc. 2014 Sep 22;3(5):e001169.



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