TOXINAS AMBIENTAIS – NUTRIÇÃO

A poluição ambiental, prevalente em praticamente todos os ecossistemas, resulta na contaminação progressiva da cadeia alimentar, através do fenómeno de bio-acumulação. Os organismos na base trófica, nomeadamente as plantas, apresentam um nível de toxicidade que resulta da exposição directa a um ambiente poluído. No entanto, os animais que se alimentam de plantas acumulam nos seus tecidos concentrações de toxinas muito superiores às encontradas inicialmente – principalmente na gordura, que devido à sua acção isolante é um tecido de deposição privilegiado.1 Por sua vez, os consumidores de animais podem adquirir numa só refeição todas as toxinas que os animais que consumiram acumularam durante toda a vida.

Quanto mais elevado se encontra um organismo na cadeia alimentar, maior o seu grau de contaminação por toxinas poluentes.

PRODUTOS DE ORIGEM ANIMAL =
DIOXINAS, PCBs, MERCÚRIO, etc…

Os humanos consumidores de carne, peixe, lacticínios e ovos, uma vez que se situam no topo da cadeia alimentar terrestre e marinha, estão sujeitos à rota mais significativa de contaminação por diversas toxinas poluentes, que possuem o potencial de provocar patologias sérias.2,3,4 Foi demonstrado que o leite materno, como veículo de distribuição final da poluição acumulada por todos os animais de que se alimentou a mãe, fornece uma carga de dioxinas que pode superar exponencialmente a dose determinada segura para o desenvolvimento de cancro.5 Resíduos de DDT, adquiridos principalmente a partir do consumo de produtos de origem animal, são detectáveis em praticamente todas as amostras de cordão umbilical.6 A fonte mais prevalente de exposição a PCB – outra toxina poderosa – também é a gordura de animais terrestres e marinhos,7,8 enquanto que a dose supostamente segura de ftalatos é excedida várias vezes em dietas que incluem carne e lacticínios.10  O consumo de peixe, em particular, é reconhecido por proporcionar contaminações epidémicas de mercúrio.Em suma, as consequências inerentes à ingestão dos poluentes concentrados nos tecidos animais são extensas, preocupantes e altamente relevantes na determinação das opções dietéticas saudáveis.

As dioxinas do Agente Laranja – produzido pela Monsanto – são responsáveis pelo horror que ainda assola o povo vietnamita.

Consumir produtos de origem animal é uma garantia de exposição a concentrações elevadas de poluentes ambientais.

“Detox Paleo”: o contrassenso é do tamanho da ignorância.


1 – Schaum J, Schuda L, Wu C, Sears R, Ferrario J, Andrews K. A national survey of persistent, bioaccumulative, and toxic (PBT) pollutants in the United States milk supply. J Expo Anal Environ Epidemiol. 2003 May;13(3):177-86.
2 – Magliano DJ, Loh VH, Harding JL, Botton J, Shaw JE.Persistent organic pollutants and diabetes: a review of the epidemiological evidence. Diabetes Metab. 2014 Feb;40(1):1-14.
3 – S.J. Khan a, D.J. Roser a, C.M. Davies. Chemical contaminants in feedlot wastes: Concentrations, effects and attenuation. Environment International. 34 (2008) 839-859.
4 – Rainbow Vogt, Deborah Bennett, Diana Cassady, Joshua Frost, Beate Ritz. Cancer and non-cancer health effects from food contaminant exposures for children and adults in California: a risk assessment. Environmental Health. 2012, 11:83.
5 – Schecter A, Startin J, Wright C, Kelly M, Päpke O, Lis A, Ball M, Olson JR. Congener-specific levels of dioxins and dibenzofurans in U.S. food and estimated daily dioxin toxic equivalent intake. Environ Health Perspect. 1994 Nov;102(11):962-6.
6 – Mariscal-Arcas M, Lopez-Martinez C, Granada A, Olea N, Lorenzo-Tovar ML. Organochlorine pesticides in umbilical cord blood serum of women from Southern Spain and adherence to the Mediterranean diet. Food Chem Toxicol. 2010 May;48(5):1311-5.
7 – Rozati R, Reddy PP, Reddanna P, Mujtaba R. Role of environmental estrogens in the deterioration of male factor fertility. Fertil Steril. 2002 Dec;78(6):1187-94.
8 – Smith AG, Gangolli SD. Organochlorine chemicals in seafood: occurrence and health concerns. Food Chem Toxicol. 2002 Jun;40(6):767-79.
9 – Weihe P, Debes F, White RF, Sørensen N, Budtz-Jørgensen E, Keiding N. Environmental epidemiology research leads to a decrease of the exposure limit for mercury. Ugeskr Laeger. 2003 Jan 6;165(2):107-11.
10 – Serrano SE, Braun J, Trasande L, Dills R, Sathyanarayana S. Phthalates and diet: a review of the food monitoring and epidemiology data. Environ Health. 2014 Jun 2;13(1):43.



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