SUPLEMENTOS ALIMENTARES

O paradigma equivocado de que a fonte alimentar com a maior quantidade de um determinado nutriente é a melhor, transborda para a noção de que aumentar a exposição a um nutriente, através do seu consumo numa concentração anormalmente elevada, resulta numa amplificação dos benefícios. Simultaneamente, indivíduos que, por um lado, confirmam que o consumo de alimentos integrais é ideal, por outro promovem o consumo dos alimentos mais processados que há – os suplementos. É esse nível de desconexão teórica que abunda no ambiente académico e popular.

Num alimento, a quantidade de um determinado nutriente é inútil de considerar em relação à tipologia desse mesmo alimento, uma vez que a fisiologia está coadunada não necessariamente para os nutrientes individuais, mas para os alimentos que os integram. De forma similar, embora seja possível sintetizar e concentrar os compostos nutricionais que fazem parte dos alimentos, o seu consumo tende a corromper as expectativas biológicas relativamente a forma e qualidade de obtenção desses mesmos nutrientes. O todo é mais do que o conjunto dos fragmentos que o constituem, e é a sua sinergia na forma do alimento que nutre competentemente o organismo.

Foi demonstrado os suplementos vitamínicos podem causar perturbações na rede antioxidante endógena e ser pró-oxidativos, e que as vitaminas agem em conjunto com os outros componentes dos alimentos para uma eficácia adequada.1 Bastam 100 gramas de maçã para exercer o poder antioxidante equivalente a 1.5 gramas de vitamina C em forma de suplemento, apesar de a maçã conter apenas 5.7 miligramas de vitamina C, o que torna o alimento 263 vezes mais potente do que a vitamina C isolada.2 De facto, o uso de suplementos de vitaminas e minerais para a prevenção de doença cardiovascular, cancro ou mortalidade de todas as causas, não se encontra suportado por evidência consistente de benefícios e, em vários casos, foram demonstrados prejuízos.

Os benefícios dos suplementos são o resultado de fugas à norma de que são supérfluos ou mesmo nocivos.


1 – Bjelakovic G, Nikolova D, Simonetti RG, Gluud C. Antioxidant supplements for prevention of gastrointestinal cancers: a systematic review and meta-analysis. Lancet. 2004 Oct 2-8;364(9441):1219-28.
2 – Eberhardt MV, Lee CY, Liu RH. Antioxidant activity of fresh apples. Nature. 2000 Jun 22;405(6789):903-4.
3 – Fortmann SP, Burda BU, Senger CA, Lin JS, Whitlock EP. Vitamin and mineral supplements in the primary prevention of cardiovascular disease and cancer: An updated systematic evidence review for the U.S. Preventive Services Task Force. Ann Intern Med. 2013 Dec 17;159(12):824-34.


2 Comments

  1. Raskolhilikov May 21, 2017
  2. Jmp May 21, 2017

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