PROTEÍNA VEGETAL: IDEAL

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PLANTAS:
PRODUTORAS ORIGINAIS DE PROTEÍNA

As proteínas – compostos fundamentais na estruturação e funcionamento dos organismos – são constituídas por aminoácidos. O corpo humano é formado por dezenas de milhares de proteínas diferentes1, contudo necessita de apenas nove aminoácidos para as construir – os essenciais – conseguindo produzir todos os outros à medida das suas necessidades.

As plantas são a fonte original de proteína na cadeia alimentar, sem as quais as estruturas proteicas de qualquer animal seriam inviabilizadas. Para além de produzirem todos os 20 aminoácidos, as plantas são as sintetizadoras exclusivas dos aminoácidos essenciais, que os animais são metabolicamente incapazes de produzir. O constituinte principal da maioria dos fertilizantes é o nitrogénio, um componente fundamental dos aminoácidos que é necessário administrar porque as plantas estão constantemente a produzir proteína.

cellbiologyPlantas = Proteína

PROTEÍNAS MAIS IDÊNTICAS NÃO SÃO NECESSARIAMENTE IDEAIS

A proximidade biológica entre as proteínas humanas e as proteínas de um outro animal é maior do que se a comparação for feita com as proteínas de um vegetal. No entanto, isso não significa que o aporte proteico mais adequado seja derivado do consumo das proteínas mais similares – se fosse esse o caso, a fonte ideal de proteína proviria do canibalismo. O vasto perfil de aminoácidos disponível nas plantas é perfeito para a formação e reparação dos constituintes proteicos humanos, de acordo com os parâmetros das adaptações biológicas – de uma forma similar à de muitos outros animais terrestres reconhecidos pela sua constituição muscular e força. De facto, os animais não utilizam as complexas estruturas de proteína, mas sim os aminoácidos que as constituem. As estruturas proteicas são inutilizáveis de uma forma directa e necessitam de ser quebradas no decurso do processo digestivo para que a obtenção dos aminoácidos especificamente necessários para uma determinada função seja possível. É por essa razão que a digestão de proteína requer um ambiente ácido, precisamente para extrair os aminoácidos das suas inserções nas estruturas proteicas e disponibiliza-los para utilização.

gorilla-eatingNa natureza, os animais derivam idealmente o seu consumo proteico da fonte para a qual estão melhor adaptados, não da que contém um perfil de outra forma expressivo. 

PROTEÍNA VEGETAL:
MAIS DO QUE COMPLETA

O preconceito depreciativo em relação à composição ou bio-disponibilidade da proteína vegetal é explicitamente falso. As plantas disponibilizam proteína de uma forma completa e equilibrada para corresponder aos requisitos fisiológicos humanos providos de sistemas de produção e reparação proteica nos quais é indiferente se os aminoácidos provêm de plantas ou de animais.De facto, diversos alimentos de origem vegetal possuem um potencial de providenciação de proteína superior ao de fontes de origem animal reconhecidas pela sua competência proteica.

PERFIL DE AMINOÁCIDOS DE FONTES ANIMAIS E VEGETAIS

aminoacidos(3)As plantas providenciam um perfil completo de aminoácidos que, por caloria – e por vezes por peso – pode ser superior ao das fontes animais.

PERCENTAGEM PROTEICA

A altura de maior crescimento exponencial na vida humana e, consequentemente, onde os requisitos proteicos por caloria são maiores, é durante a amamentação, uma vez que o peso e o tamanho literalmente triplicam. No entanto, o leite humano contém apenas cerca de 1% de proteína por peso e 6 % por caloria. (Esse valor pode ser ainda mais baixo, uma vez que foi calculado a partir da análise do nitrogénio total, sem consideração pela fracção de até 25% do conteúdo de nitrogénio que não é proteico.)4 Em geral, o leite dos Primatas é caracterizado por níveis elevados de açúcar e níveis reduzidos de proteínas, sendo que o leite humano possui a concentração mais baixa de proteína de todas as espécies de primatas.5 Por sua vez, os alimentos de origem vegetal aportam percentagens proteicas significativamente superiores, o que indica a sua adequação mesmo para as necessidades anabólicas mais exigentes. 

macrosvegetal2(4) A altura de maior crescimento exponencial do corpo humano é idealmente correspondida por um alimento que contém cerca de 6% de proteína por caloria.

DIGESTIBILIDADE DA PROTEÍNA

Outra dúvida frequentemente levantada em relação à proteína prende-se com o seu grau de digestibilidade, isto é, da quantidade que é realmente absorvida. Também nesse aspecto as proteínas vegetais revelam a sua competência, que pode ser, inclusivamente, superior à das proteínas animais mais reverenciadas.6

macros3Proteína vegetal: eficazmente absorvida.

RECOMENDAÇÕES PROTEICAS

A ciência sobre os requerimentos de aminoácidos foi grandemente desenvolvida por William Rose, que estabeleceu a existência de 8 aminoácidos essenciais e a necessidade mínima de consumo proteico em cerca 20 gramas diários. Essa quantidade foi determinada a partir do valor máximo requerido por qualquer indivíduo, e depois foi duplicada para criar recomendações consideradas definitivamente seguras.Actualmente, a Organização Mundial de Saúde inclui mais um aminoácido como essencial e recomenda cerca de 0.75 g de proteína por quilo de peso. Um homem de 70 quilos, segundo a OMS, necessita de uma média de 3000 calorias e de cerca de 52.5 g de proteína por dia.6 Uma dieta constituída unicamente por um tipo de tubérculo ou cereal é facilmente capaz de um fornecimento de proteína superior ao recomendado, disponibilizando todos os aminoácidos essenciais assim como os não essenciais. É praticamente impossível conceber uma dieta deficiente em aminoácidos a partir do consumo caloricamente adequado de alimentos de origem vegetal não processados. Para além disso, misturar alimentos para formar uma composição adequada de aminoácidos também é desnecessário.8

aminoacidos2(3,6) Consumir alimentos vegetais não processados, de acordo com as recomendações calóricas, providencia seguramente os requerimentos nutricionais de proteína.

 DEFICIÊNCIA DE PROTEÍNA

As necessidades de proteína são tão modestas, os seus mecanismos de utilização tão eficientes, e a sua disponibilidade nos alimentos tão pervasiva, que a possibilidade de deficiência está perto de ser nula. A proteína é um constituinte fundamental de todos os alimentos inteiros e da maioria dos processados, e, como tal, desde que um indivíduo consuma calorias suficientes, a sua ingestão proteica tende a ser facilmente atingida. Para além disso, uma quantidade substancial de proteína é proveniente da reutilização de cerca de 100 biliões de células catabolizadas diariamente.9

Nem mesmo as patologias induzidas por subnutrição profunda têm origem na depleção proteica. Um estudo em crianças com edemas de malnutrição – Kwashiorkor – demonstrou que o rácio de perda do edema está fortemente relacionado com a energia dietética consumida, mas não com o consumo proteico. Doentes a quem foi dada uma dieta muito baixa em proteína (2.5%) perderam o edema tão depressa como aqueles a quem foi dada cinco vezes mais proteína, o que indica que a relação não é causal.10,11

biafran-children-in-hunger-xOs sintomas originários de subnutrição profunda não são despoletados por deficiência proteica.

EM CONCLUSÃO, É UM MITO QUE:

1 – As proteínas de plantas são incompletas (têm falta de aminoácidos específicos).

2 – As proteínas de plantas não são tão “boas” como as proteínas animais.

3 – As proteínas de plantas devem ser combinadas na mesma refeição para atingir um valor nutricional elevado.

4 – As proteínas de plantas não são bem digeridas.

5 – As proteínas de plantas não são suficientes para atingir uma dieta adequada.

6 – As proteínas de plantas são “desequilibradas” e isso limita o seu valor nutricional.

proteinaA literatura científica indica, claramente, que as noções gerais sobre a inferioridade da proteína vegetal não passam de mitos…

SERÁ QUE OS NUTRICIONISTAS SABEM?

nutricionistas-proteinaInfelizmente, enquanto proclamam saber do que estão a falar, os nutricionistas continuam a revelar que o preconceito e a ignorância dominam a sua profissão…


1 – Kim MS et al. A draft map of the human proteome. Nature. 2014 May 29;509(7502):575-81.
2 – Young VR, Pellett PL. Plant proteins in relation to human protein and amino acid nutrition. Am J Clin Nutr. 1994 May;59(5 Suppl):1203S-1212S.
3 – USDA National Nutrient Database for Standard Reference, Release 27.
4 – John D. Speth. (2010) The Paleoanthropology and Archaeology of Big-Game Hunting. Springer.
5 – EM Patiño, JT Borda. The Composition of Primates’ Milk and Its Importance in Selecting Formulas for Hand Rearing. Laboratory Primate Newsletter 36, 8-12
6 – Protein and amino acid requirements in human nutrition : report of a joint FAO/WHO/UNU expert consultation, 2007.
7 – William C. Rose. The Amino Acids in Nutrition. Yale J Biol Med. 1932 Mar; 4(4): 519–536.
8 – John McDougall, MD. Plant Foods Have a Complete Amino Acid Composition. Circulation. 2002; 105: e197
9 – Edna Matta-Camacho, Guennadi Kozlov, Flora F Li, Kalle Gehring. Structural basis of substrate recognition and specificity in the N-end rule pathway. Nature Structural & Molecular Biology, 2010
10 – Golden MH. Protein deficiency, energy deficiency, and the oedema of malnutrition. Lancet. 1982 Jun 5;1(8284):1261-5.
11 – Golden MH, Golden BE, Jackson AA. Albumin and nutritional oedema. Lancet. 1980 Jan 19;1(8160):114-6

 

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