ARGUMENTO TEOLÓGICO – NUTRIÇÃO

cristo
Mesmo na ausência de evidência concreta sobre as opções alimentares dos impulsionadores das ideologias mais reverenciadas, temos, nos seus ensinamentos, um propósito inequívoco de ablação do sofrimento. A interpretação dogmática das escrituras e as suas contradições podem ser definitivamente dissolvidas pela frontalidade com que ordenaram, acima de qualquer outro interesse, a beneficência universal – sendo esse o cerne autoritário que as incumbe de poder.

Lao Tzu, pai da filosofia Taoista, proclama: “Tenho apenas três ensinamentos: simplicidade, paciência e compaixão. Estes são os teus maiores tesouros.”1

Nas Leis de Manu, textos sagrados para os Hindus, é afirmado que “aquele que magoa criaturas indefesas com o desejo de ter prazer nunca encontra a felicidade. A carne não pode ser obtida sem causar dor a outras criaturas vivas e causar dor não permite alcançar a bênção divina. Tendo considerado bem a origem nojenta da carne e a crueldade de engordar e matar seres corporais, que o homem se abstenha inteiramente de a consumir. Aquele que permite o abate do animal, aquele que o corta, aquele que o mata, aquele que compra ou vende a carne, aquele que o cozinha, aquele que o serve e aquele que o come, devem ser todos considerados os assassinos do animal.”2

Por sua vez, as religiões Budistas e Jânicas são fundadas na santidade da vida: “Cuida do pensamento de gentileza para com os seres vivos e abstém-te de comer carne… em nome do amor e da pureza… e pelo medo de causar terror a criaturas vivas.” Buda denuncia não só aqueles que comem carne, mas os que pagam ou lucram com a destruição de animais como “mentes do mal, condenados ao mais horripilante inferno”, e conclui que “comer carne não é permitido, eu não permito, não permitirei.”3 Supõe-se que Asoka, um dos maiores imperadores da Índia, depois de presenciar a carnificina de uma batalha da época, converteu-se ao Budismo e renunciou o consumo de carne.4

Na Bíblia, Deus afirma: “Dou-vos todas as plantas com semente e todas as árvores com fruto. Elas serão tuas como alimento.”5 As escrituras indicam que o consumo de carne apenas se evidenciou com a corrupção humana, e ambicionam o retorno ao paraíso na terra: “O lobo e o cordeiro comerão juntos, o leão comerá palha como o boi e pó será a comida da serpente. Eles não caçarão nem destruirão na minha montanha sagrada.”4,6

Cristo disse: “Tudo aquilo que fizeres ao mais inimportante dos meus irmãos fazes também a mim”7 e pediu “misericórdia, não sacrifício”8 – em tempos onde o sacrifício e o consumo de carne estavam intimamente ligados. Muitos cristãos fundadores da igreja de Cristo eram vegetarianos, incluindo Clemente de Alexandria, Origen, Tertuliano, Jerónimo, Bonifácio, João Crisóstomo, etc.. Tiago, o Justo, irmão de Cristo, é tido como vegetariano desde a nascença, o que revela a motivação Cristã genuína.4

O islamismo “proibiu animais mortos, sangue, carne de suínos e aquilo que foi dedicado a outro que não Alá.”9

“Desejo misericórdia, não sacrifício”

santi-cosma-e-damiano-apocalyptic-lamb-6th-c-600x450lost-lamb-art-lds-425852-wallpaper-e1474841510420jesus-kreuzigung-isenheimer-altar-lamm-e1474841110570A alimentação é um aspecto indelével da religião: não existe cristianismo sem vegetarianismo.


1 – Lao Tsu, Tao Te Ching.
2 – The Laws of Manu. George Bühler, translator (Sacred Books of the East, Volume 25) Chapter 5

3 – Siddhartha Guatama (Buddha, Sakyamuni) On eating meat. Chapter 8, The Lankavatara Sutra, 2005
4 – Jo Ann Davidson. World Religions and the Vegetarian Diet. Journal of the Adventist Theological Society, 14/2 (Fall 2003): 114–130.
5 – Bíblia, Genesis 1:29.
6 – Exodus 20:1-21, Deuteronomy 5:1-23, Ten Commandments, New Bible Dictionary, Second Edition, Tyndale House, 1982 pp. 1174-1175.
7 – Bíblia, Mateus 9:13 & 12:7.
8 – Bíblia, Mateus 25:40.
9 – AlCorão, Al Baqara 2:173



3 Comments

  1. Pingback: POLVO E BACALHAU | Compreendernutricao.com December 23, 2016
  2. Alfredo May 15, 2018
    • admin May 20, 2018
      • Alfredo May 20, 2018

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