ARGUMENTO POPULACIONAL – EVIDÊNCIA DA SAÚDE DOS POVOS

Maria Ermelinda Ayme Sichigalo, a farmer and mother of eight with her typical day’s worth of food in her adobe kitchen house in Tingo village, central Andes, Ecuador. (From the book What I Eat: Around the World in 80 Diets.) The caloric value of her typical day's worth of food in the month of September was 3800 kcals. She is 37 years of age; 5 feet, 3 inches tall; and 119 pounds. With no tables or chairs, Ermelinda cooks all the family’s meals while kneeling over the hearth on the earthen floor, tending an open fire of sticks and straw. Guinea pigs that skitter about looking for scraps or spilled grain will eventually end up on the fire themselves when the family eats them for a holiday treat. Because there is no chimney, the beams and thatch roof are blackened by smoke. Unvented smoke from cooking fires accounts for a high level of respiratory disease and, in one study in rural Ecuador, was accountable for half of infant mortality. MODEL RELEASED.

As vicissitudes ambientais e culturais proporcionam a adopção de padrões dietéticos marcadamente distintos, que permitem observar os impactos consequentes na saúde dos povos. Apesar de as populações que tradicionalmente subsistem a partir de alimentos animais serem, frequentemente, utilizadas para argumentar a favor do seu consumo, a realidade sobre as extensas afecções patológicas é raramente conhecida. Por outro lado, quando a base alimentar provém, tendencialmente, de plantas, produzem-se as taxas de saúde mais elevadas de todas as populações estudadas. Actualmente, a dissolução global dos contrastes dietéticos, a partir da exportação da dieta ocidental – rica em carne, lacticínios e ovos – está a homogeneizar rapidamente as diferenças internacionais nas taxas de incidência de doenças.1

CONSUMIDORES DE ANIMAIS

tabela3Quanto maior o poder económico de um país, maior o acréscimo de calorias de origem animal, provenientes de gordura e proteína, que proporcionam aumentos do índice de obesidade e de doenças degenerativas.2,3

ESQUIMÓS – INUÍTES

O clima permanentemente gélido da região polar obriga a uma dependência em carne e peixe na dieta esquimó. As consequências patogénicas são inescapáveis. Estudos demonstram uma elevada prevalência de aterosclerose e de doença coronária.4,5 Os cancros da glândula salivar e nasofaríngeal ocorrem em taxas que são das mais elevadas do mundo.6 A incidência de cancro do fígado é cerca de seis vezes maior do que a do resto da população – o vírus da hepatite B é um factor de risco principal para o desenvolvimento de hepatocarcinoma, e análises demonstram grandes prevalências de infecção.7 A osteoporose é epidémica, e depois dos 40 anos de idade os esquimós têm menos 10 a 15% de massa óssea comparativamente a norte-americanos da mesma idade.Para além disso, a mãe esquimó apresenta o maior dano corporal conhecido de ocorrer por exposição a poluentes ambientais, em virtude da sua dieta estar no nível mais elevado da cadeia alimentar árctica.A esperança de vida dos esquimós pode ser tão baixa como os 29, 35 ou 45 anos.10 Muitos detractores dos malefícios do consumo de produtos de origem animal responsabilizam a introdução de alimentos processados pelas consequências patológicas. No entanto, múmias esquimós que viveram há mais de 5 séculos, e consumiam o epitome das concepções teóricas dos actuais promotores de dietas paleolíticas carnívoras, revelam sinais de osteoporose severa, aterosclerose, metástases de cancro da mama, doença dentária, lêndeas, parasitas intestinais, síndroma de Down e um defeito de crescimento na anca conhecido como doença de Perthes.11,12

mumie_groenland_1Múmias esquimós substanciam a noção de que a dieta baseada em carne é destrutiva para a saúde humana.

MASSAI

A dieta tradicional dos massai é largamente constituída por sangue e leite, e a carne é consumida apenas em ocasiões especiais. São magros devido a um baixo aporte calórico e elevado nível de actividade física. Possuem condições a seu favor, como a elevada altitude, e usam plantas medicinais, o que ainda assim não os impedem de incorrer numa das longevidades mais baixas do mundo. Estudos das artérias coronárias dos massai demonstram aterosclerose extensa, com um engrossamento intimal equivalente ao de americanos idosos.13,14 Os massai também sofrem de obstipação, artrite reumatóide e não desconhecem o cancro.14,15,16

getty-148537884-dombo-village-jane-sweeney-hero_0Eis uma receita simples, para os proponentes de uma dieta paleolítica carnívora.

CONSUMIDORES DE PLANTAS

OKINAWA

A ilha de Okinawa, no Japão, era reconhecida como uma das regiões do mundo com as menores taxas de doenças degenerativas e um maior número de centenários – eram aproximadamente 740 numa população de 1.3 milhões. A maioria era saudável toda a vida – desprovida de doença cardiovascular, cancro ou Alzheimer – e experienciava um rápido declínio terminal.17 A batata-doce foi o principal alimento da dieta de Okinawa desde 1600 até aproximadamente 1960, representando mais de 50% das calorias.18

tabela2                          (18)   

ADVENTISTAS DE SÉTIMO DIA

Os Adventistas de Sétimo Dia da Califórnia – uma população religiosa onde os hábitos vegetarianos estão grandemente instituídos – são reconhecidos pela comunidade científica pelos seus níveis reduzidos de doenças crónicas, assim como por uma longevidade extrema, que supera inclusivamente a dos japoneses de Okinawa. A dieta promovida pelos adventistas consiste no consumo de legumes, cereais integrais, nozes, frutos e vegetais.19 As taxas de mortalidade entre as idades dos 35 e 64 anos são 28% e 50%, respectivamente, das taxas para os mesmos grupos de idade da população californiana geral. Os adventistas vegetarianos possuem uma incidência significativamente inferior de doença coronária, diabetes, hipertensão, cancro do cólon, bexiga, próstata e artrite do que os adventistas não vegetarianos, o que indica o papel determinante da dieta na redução do risco.20,21 Estudos sobre a mortalidade da maioria dos cancros indicam taxas que são 50 a 70% mais baixas do que as da população em geral.22 Os adventistas têm possivelmente a esperança de vida mais elevada de qualquer população descrita formalmente.23,24

adventist“Uma dieta vegetariana equilibrada promove saúde vigorosa.” – O tipo de recomendações responsável por uma das populações mais saudáveis do mundo.

UGANDA

A subsistência dos Ugandeses, e de outros povos africanos, depende primordialmente de plantas. Os alimentos base da dieta ugandesa são a banana, a batata-doce, a mandioca, o inhame, o milho e as verduras.(25) Consequentemente, no Uganda, a doença coronária é praticamente inexistente.25,26 Denis Burkitt, um médico proeminente, relata que durante 26 anos de prática na África oriental, dos quais 20 anos foram passados no Uganda, o primeiro caso de doença coronária encontrado em 15 milhões de habitantes ocorreu num juiz do tipo psicossomático, obeso, que consumia semanalmente carne, manteiga, ovos e alimentos cozinhados com gordura animal.27 O Uganda também aparece como o país do mundo com a menor incidência de cancro colorrectal,28 e sem um único caso de esclerose múltipla diagnosticado.29 A uma média de 6.2 crianças por mulher, o Uganda é o segundo país do mundo com uma taxa de natalidade mais elevada.30

dscf4689-1Quantidades generosas de feijões e ugali (farinha de milho), mantém a obesidade à distância do povo ugandês.

O PROJECTO BLUE ZONES:

Descobrir os denominadores comuns das populações mais longevas do mundo. ngarticle

As conclusões dietéticas são inequívocas: as populações mais saudáveis consomem plantas, não animais.


1 – William C. Roberts. The Cause of Atherosclerosis. Nutr Clin Pract. October 2008 vol. 23 no. 5 464-467
2 – FAO Statisitc Division 2010, Food Balance Sheets / WHO Overweight Obesity 2008 http://www.who.int/gho/ncd/risk_factors/overweight/en/
3 – Awad AB, Begdache LA, Fink CS. Effect of sterols and fatty acids on growth and triglyceride accumulation in 3T3-L1 cells. J Nutr Biochem. 2000 Mar;11(3):153-8.
4 – Howard BV, Comuzzie A, Devereux RB, Ebbesson SO, Fabsitz RR, Howard WJ, Laston S, MacCluer JW. Cardiovascular disease prevalence and its relation to risk factors in Alaska Eskimos. Nutr Metab Cardiovasc Dis. 2010 Jun;20(5):350-8.
5 – Hansen JP, Hancke S, Møller-Petersen J. Atherosclerosis in native Greenlanders. An ultrasonographic investigation. Arctic Med Res. 1990 Jul;49(3):151-6.
6 – Lanier AP, Alberts SR. Cancers of the buccal cavity and pharynx in Circumpolar Inuit. Acta Oncol. 1996;35(5):545-52.
7 – McMahon BJ, Lanier AP, Wainwright RB. Hepatitis B and hepatocellular carcinoma in Eskimo/Inuit population. Int J Circumpolar Health. 1998;57 Suppl 1:414-9.
8 – Richard B. Mazess, Ph.D., and Warren Marher, B.S. Bone mineral content of North Alaskan Eskimos. The American Journal of Clinical Nutrition 27: September 1974, pp.916-925.
9 – E. Dewailly, P. Ayotte. Inuit exposure to organochlorines through the aquatic food chain in arctic québec. Environ Health Perspect. 1993 December; 101(7): 618–620.
10 – Joëlle Robert-Lamblin. Ammassalik, East Greenland – End Or Persistence of an Isolate?: Anthropological and Demographical Study on Change. Kommissionen for videnskabelige Undersogelser i Gronland, 1986
11 – National Geographic Magazine June 1987.
12 – DW Rathbone, Kings College, London. Jens Peder Hart Hensen, The Greenland mummies, London, British Museum Press, 1991.
13 – George V. Mann, Anne Spoerry, Margarete Gary, Debra Jarashow. Atherosclerosis in the Masai. Am. J. Epidemiol. (1972) 95 (1): 26-37.
14 – P. Clifford. Carcinognes in the nose and throat: nasopharyngeal carcinoma in kenya. Proc R Soc Med. Aug 1972; 65(8): 682–686.
15 – Meat and Live Stock Digest. March 1932.
16 – The Physiological Basis of Medical Practice, 5th ed. Williams and Wilkins Co., Baltimore (p. 768).
17 – Okinawa Centenarian Study. http://www.okicent.org/
18 – Willcox BJ, Willcox DC, Todoriki H, Fujiyoshi A, Yano K, He Q, Curb JD, Suzuki M. Caloric restriction, the traditional Okinawan diet, and healthy aging: the diet of the world’s longest-lived people and its potential impact on morbidity and life span. Ann N Y Acad Sci. 2007 Oct;1114:434-55.
19 – Seventh DayAdventistChurch.org
20 – Phillips RL, Lemon FR, Beeson WL, Kuzma JW. Coronary heart disease mortality among Seventh-Day Adventists with differing dietary habits: a preliminary report. Am J Clin Nutr. 1978 Oct;31(10 Suppl):S191-S198.
21 – Fraser GE. Associations between diet and cancer, ischemic heart disease, and all-cause mortality in non-Hispanic white California Seventh-day Adventists. Am J Clin Nutr. 1999 Sep;70(3 Suppl):532S-538S.
22 – Phillips RL. Role of life-style and dietary habits in risk of cancer among seventh-day adventists. Cancer Res. 1975 Nov;35(11 Pt. 2):3513-22.
23 – Sergio Davinelli, D Craig Willcox, Giovanno Scapagnini. Extending healthy ageing: nutrient sensitive pathway and centenarian population. Immunity & Ageing. 2012, 9:9
24 – Fraser GE, Shavlik DJ. Ten years of life: Is it a matter of choice? Arch Intern Med. 2001 Jul 9;161(13):1645-52.
25 – Shaper AG, Jones KW. Serum-cholesterol, diet, and coronary heart-disease in Africans and Asians in Uganda: 1959. Int J Epidemiol. 2012 Oct;41(5):1221-5.
26 – Wilbur A. Thomas, Jack N.P. Davies, Robert M. O’Neal, Amador A. Dimakulangan. Incidence of myocardial infarction correlated with venous and pulmonary thrombosis and embolism. A geographic study based on autopsies in Uganda, East Africa and St. Louis, U. S. A. The American Journal of Cardiology Volume 5, Issue 1, January 1960, Pages 41–47
27 – Singh SA, Trowell HC. A case of coronary heart disease in an African. East Afr Med J. 1956 Oct;33(10):391-4.
28 – Denis P. Burkitt.  Epidemiology of cancer of the colon and rectum. Cancer Volume 28, Issue 1, pages 3–13, July 1971
29 – McCarty MF. Upregulation of lymphocyte apoptosis as a strategy for preventing and treating autoimmune disorders: a role for whole-food vegan diets, fish oil and dopamine agonists. Med Hypotheses. 2001 Aug;57(2):258-75.
30 – Unicef.org


 

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