AMANTES DE ANIMAIS, CONSUMIDORES DE ANIMAIS

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Se no passado, o benefício dos instintos apurados e a coragem indomável criaram a conveniência da aliança com os cães e os gatos, o carinho contemporâneo é alimentado pela sua beleza extraordinária, sensibilidade, inteligência e amizade – percebida por nações louváveis de homens e mulheres que os respeitam como se de homens e mulheres se tratassem. Mas como expositor da inegável irracionalidade humana, esse amor transparece apenas a hipocrisia selvagem legada pelos automatismos culturais, ao invés da coerência de um carácter universal.

No oriente, os cães e os gatos são tratados como os porcos e os coelhos no ocidente – onde os consumidores, visceralmente repugnados pelos cenários das necessidades da carne, permanecem compartimentalizados na ilusão da sua inocência: “É para comer!”, exclamam, como se o apetite justificasse o delito…

Todas as pessoas são animais, e todos os animais são animais também, não apenas alguns. Que a indignação de veres aqueles que adoras sofrerem um suplício barbárico nas mãos dos que são considerados pessoas, se transfigure na percepção da decadência causada pelas tuas próprias acções. Acorda agora.

“Para um homem cuja mente é livre, há algo ainda mais intolerável no sofrimento dos animais do que no sofrimento do próprio homem. Porque, no último, pelo menos é admitido que o sofrimento é mau, e que aquele que o provoca é criminoso. Mas milhares de animais são inutilmente abatidos todos os dias sem uma sombra de remorso. Se algum homem se fosse referir a isso, seria julgado de ridículo. E isso é um crime imperdoável. É a justificação para que todos os humanos sofram. Cria uma vingança sobre a raça humana. Se Deus existe e o tolera, chora uma vingança de Deus.” Romain Rolland1


1 – Romain Rolland (1913). Jean Christoph. Journey´s end.


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